o dia desaguou ao fundo das ruas desertas

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o silêncio tem a espessura das papoulas murchas 
e os objectos parecem aproximar-se do sono 
inclinam-se para o lado onde se situam os moinhos as ermidas os bosques diluídos 
o nítido ladrar dos cães 
que horas serão para lá desta fotografia? 
     
com uma grande angular circundo o mosteiro ao morrer do dia 
perto dos jardins cheira a laranjas orvalhadas em tua respiração 
tenho uma iluminação de astros rebentando do arco-íris da noite 
quando abro o diafragma todo para as linhas oblíquas do rosto em
telha quase rubra 

o dia desaguou ao fundo das ruas desertas 
apresso o passo debaixo do voo das aves 
recolho o olhar 
onde um fauno vem beber a nocturna nudez das aves 

Al Berto
[O SILÊNCIO TEM A ESPESSURA DAS PAPOULAS MURCHAS ]

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